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terça-feira, 12 de abril de 2011

Jesus, a alegria dos SILVARES

Nesta hora de incerteza,
de casanço e de agonia;
nesta hora em que, de novo,
a guerra se prenuncia;
neste momento em que o povo
não tem rumo nem tem guia,
ó Jesus, agora e sempre 
Tu és a nossa alegria!
  Nesta hora seca e torpe,
  de vergonha e hipocrisia,
  quando os homens apodrecem
  nos banquetes e na orgia,
  nesta hora em que a criança
  atravessa a noite fria
  Tu és a nossa esperança,
  Tu és a nossa alegria!
Alegria manifesta,
que brotou e se irradia
de uma simples e mpodesta
e sublime estrebaria;
alegria nunca ausente;
alegria onipotente
que palpita para o crente
e faz dele um novo ser;
alegria cristalina
doce, mistica, divina
que nos toma e nos domina
e nos enche de poder.
  Tu és a nossa alegria!
  Santa alegria, Senhor,
  que nos une e nos separa
  e nos fecunda de amor!
  Por isso cantamos hinos,
  temos prazer no LOuvor,
  até nas horas escuras
  do afastamento e da dor.
Cantai, ó povos da Terra!
Trazei harpas e violinos,
oboés, cítaras, guitarras,
harmônios, címbalos, sinos,
clavicórdios e fanfarras,
coros de virgens e mártires,
de meninas e de meninos!
  Cantai, ó povos da Terra!
  Trazei avenas e tubas,
  flautas, flautins, clarinetas
  celos, clarins e tambores
  e metálicas trombetas
  e purissimos cantores!
Cantai, ó povos da Terra!
Trazei pássaros e fontes,
bulícios, rios e ventos,
rochas, árvores enormes,
alvos lírios orvalhados,
palmas viçosas luzindo,
sons da noite, vozes múltiplas
dos animais e das águas,
das pedras e dos abismos,
das florestas intocáveis
e dos mundos subterrâneos,
sons da madrugada clara:
estalos de galhos verdes,
doces ruídos domésticos:
talheres e louças brancas,
sons de fábricas, ruídos
de teares e bigornas,
de madeiras e metais,
passos pesados de botas
de militares erectos,
passos macios e quentes
de rosadas colegiais.
  Cantai, ó povos da Terra!
  Cantai de noite e de dia,
  na tarde pesada e morna,
  na manhã ágil e fria,
  na aflição ou na ventura,
  ao nascer ou na agonia:
  JESUS - Senhor dos senhores -
  Tu, és a nosa alegria!
  Tu és a nossa alegria!!
  Tu és a nossa alegria!!!


sábado, 27 de março de 2010

A professora

Para a matriarca que amamos.


Deixem seus recados e mandem fotos da dona mocinha, vovó querida, mãe amada e grande mulher, escrevam aí ao lado ou postem suas experiências com essa grande referência para todos os SILVAS.

Mulher na frente do fogão (giógia jr)

"Uma constante chama de gás aquece a panela que chia na cozinha
enquanto um cheiro forte de tempero enche a casa –
ela está na frente do fogão,
trincheira de mais de vinte anos, de pé, á espera.

Na frente do fogão enquanto os filhos crescem,
vão sendo modelados pela vida e pelo tempo,
chegam e a beijam na testa e ela na frente do fogão,
chegam e dizem “olá” distante e ela na frente do fogão,
chegam e não dizem nada e ela na frente do fogão,
porque a chama abraça o fundo da panela
para que o jantar fique pronto,
para que eles matem a fome
e cresçam mais e se afastem dela cada vez mais.

Ali na frente do fogão o seu rosto outrora liso e jovem
foi sendo curtido em sal e fogo,
em fumaça e tempo,
em sofrimento e espera, em susto e ingratidão.
E ela, paciente e quieta, em frente do fogão.
Chega o marido,
que o tempo também se incumbiu de transformar
em cansaço e desesperança,
e traz para cozinha os problemas da rua,
a insegurança no serviço, o orçamento estourado,
a fila, a espera, o desconforto, a condução:
e ela na frente do fogão!

Não mais o beijo quente do retorno
o olhar em festa, os planos em comum
- um acre silencio tempera a janta-;
uma dura troca de olhares
que já não se perguntam,
porque não há respostas a dar;
é o boa- noite de sempre
- nas ruas, os amigos no bar bebendo a mesma
dura cachaça e nervosa insatisfação,
em casa, o vazio que os filhos deixam
quando saem a medir a noite com os amigos –
e os coloridos sonhos de novela
e a companhia da televisão.
 
Eu te peço por ela
nesta hora em que as sombras
iniciam a escalada de mais uma noite-
pela sua alegria, pela sua ilusão-
guarda a mulher na frente do fogão.
Nesta hora marcada
Pelo cheiro forte do tempero,
Pela chama quase parada do fogão de gás –
enquanto eles não chegam dos caminhos da noite,
dos perigos do transito e do ódio dos homens –
que ela tenha calma, que ela tenha paz.

Sobre a sua cabeça envelhecida
estende a TUA poderosa mão.
E que ela possa ter a alegria da vida
na hora do preparo da comida
na frente do fogão."



Abçs Edi